Instituto Traz Sua Coleção Nacional Para O Rio

O Instituto - núcleo de produção que reúne multi-instrumentistas, engenheiros de som, produtores, DJs, artistas gráficos, além de convidados que figuram no melhor do nosso pop rock de hoje - ao vivo é uma experiência diferente do trabalho de estúdio, mas igualmente feliz em unir hip hop com samba, dub, jazz, coco, beats eletrônicos, groove, samples, baixos poderosíssimos e flautas idem. Nos dias 24 e 25 de março eles passaram aqui pelo Rio para divulgar o seu primeiro trabalho e homenagear o finado Sabotage, rapper morto há um mês em São Paulo e que participa do CD Coleção Nacional, com “a melhor fusão de rap com samba que já se teve notícia”, nas próprias palavras da galera do núcleo, “Dama Tereza”. Coleção Nacional saiu no final do ano passado e está entre os melhores de 2002 junto com o CD novo da Nação Zumbi.

Rica Amabis, responsável pelas primeiras fusões de música eletrônica com samba em Sambadelic, Tejo Damasceno e Daniel Ganja Man (engenheiros de som, produtores, instrumentistas), e ainda Rodrigo Silveira e Márcio Simch (arte gráfica), junto com Sabotage, Rappin’ Hood, Nação Zumbi, Fred 04, Bonsucesso Samba Clube, BNegão, Otto, Z’África Brasil, Zé Gonzáles e Cila do Coco, Flu, Traidores da Babilônia, Kid Koala, Daniel Bozio, Lucas Moreira e Mauríco Takara mostram o (melhor) caminho para o futuro da música brasileira.

No palco do Teatro Rival, o núcleo central mandou muito groove, flauta, sax e teclados, além da cozinha de percussão e bateria, numa levada onde o hip hop se fez onipresente e embalou almas e corações. Para completar, o melhor do freestyle carioca mandou ver nas rimas certeiras, improvisadas ou não, de BNegão, Marcelo D2 (que também improvisou nos teclados com Ganja Man), o incrivelmente criativo nas rimas improvisadas e ligeiras Marechal (representando Niterói), entre outros MCs, e Otto, que cantou e tocou percussão. O mérito dessa rapaziada toda está na lapidada que o hip hop vem sofrendo, saindo da batida seca e letras monotemáticas do tipo “soupretopobrefudidofodaseosistemaeapolícia”, e absorvendo as nuanças dos beats e grooves, mas também do samba de Cartola, do coco de Dona Cila, do dub dos mestres jamaicanos de Mad Professor e Lee Perry, do jazz-funk da banda Black Rio. Está também na concepção de criação do núcleo, algo que surgiu simultaneamente aqui (com o Mamelo Sound System) e lá fora (com o projeto Handsome Boy Modelling School).

O público não era dos maiores na segunda, mas assistia atenciosamente a sonoridade que indica onde está o caminho. Ainda pouco conhecido nesse país que preza pelos enlatados e descartáveis produtos que emanam sobretudo da televisão, o Instituto com certeza veio pra transformar o cenário. O CD é independente, com distribuição da YBrazil e no www.seloinstituto.com você encontra mais novidades. Boa viagem.

texto e fotos: Bruno Dorigatti